Sérgio Rodrigues recebendo o segundo dan da faixa preta de jiu-jitsu (Foto: Arquivo pessoal)
A turbulenta passagem de Vanderlei Luxemburgo pela Toca da Raposa II trouxe malefícios ao Cruzeiro, que se viu mais perto da luta contra o rebaixamento e com um clima conturbado. Entretanto, como diz o ditado, há males que vem para o bem. A saída do treinador representou não só a chegada de Mano Menezes - que alavancou a campanha no Brasileiro e afastou o time do Z-4 - como também uma reformulação na diretoria. Chegaram Bruno Vicintin, advindo das categorias de base, e Thiago Scuro, considerado um promissor diretor de futebol. O último a ser integrado na reformulação foi Sérgio Rodrigues, proveniente da parte de negócios internacionais do clube.
Casado, pai de dois filhos, advogado, dono de um escritório de advocacia, agora dirigente de futebol, torcedor do Cruzeiro e (ufa!) faixa preta no jiu-jitsu budokan, praticado de acordo com os valores tradicionais da luta. São vários os papeis exercidos por Sérgio Rodrigues, mas ele explica que, neste momento, a nova função tem tomado bastante tempo. No momento, a diretoria espera a definição do time no Campeonato Brasileiro para dar início à reformulação para 2016, mas já tem conversas iniciais para a próxima temporada.
- Estamos em um momento em que a melhora é notória em campo, estamos vendo. Temos uma probabilidade irrisória (de rebaixamento), mas nosso foco é fechar isso 100% para, a partir daí, fazer várias análises. A gente tem que pensar em quem fica no clube, quem tem contrato vencendo. Tem muita gente que está jogando bem e está voltando de empréstimo. Tem meninos da base bons para subir também. Então, a partir do momento que fizer isso, com a análise com o próprio Mano Menezes, a gente começa a apontar o que vai ser feito de contratação depois. Tem algumas conversas internas, mas não é o foco atual. Já fizemos reunião na Toca I para ver quem vai subir.
Sérgio Rodrigues, assim como o vice-presidente de futebol do clube, Bruno Vicintin, são apontados como possíveis postulantes ao cargo que Gilvan de Pinho Tavares deixará no final de 2017. Ele acredita que a discussão do assunto ainda é prematura.
- Falo que é muito cedo, tem muito tempo ainda. Faltam dois anos, temos muita coisa para fazer no mandato do doutor Gilvan. Já falei pessoalmente para ele, que não existe isso de eu falar que sou o candidato. Não sou candidato, sou o cara que trabalha no Cruzeiro. E estamos no mesmo grupo. Momento de discutir eleição é lá no final do mandato dele, no final de 2017. Muita gente fala isso por eu ser novo, como falam do Bruno (Vicintin), do Toninho, que é o novo superintendente da base, que também é novo. Qualquer conselheiro que venha ao clube para ocupar o cargo, acredita-se que essa pessoa pode ser presidente.
Veja outros trechos da entrevista realizada com o superintendente de futebol do Cruzeiro:
Faixa preta no jiu-jitsu?
- Sou faixa preta, sim, acordo todos os dias de manhã e pratico de sete meia às nove todos os dias. Já tem seis anos e meio que eu pratico. Nosso jiu-jitsu é o jiu-jitsu antigo, porque o jiu-jitsu brasileiro é luta esportiva, só de chão. O jiu-jitsu originalmente ele tem golpes de trauma, queda igual judô e luta de chão.
- Suas atribuições no futebol do Cruzeiro.
- Já conversamos isso em reuniões do departamento. O Bruno estará com a ligação direta do elenco, com o próprio técnico e vestiário, e eu farei uma parte mais externa do futebol, relação institucional, próprio relação para o futebol com o Guilherme (Mendes) com parte da imprensa, representação junto à Federação Mineira (de Futebol), a CBF, a própria Conmebol, algumas questões estratégicas que envolvem a área do futebol e obviamente a substituição do Bruno (Vicintin) em eventuais ausências dele, caso tenha alguma viagem, férias, e coisa assim, que se o clube tiver demanda, eu assumo aqui, porque é a função que vem logo abaixo. O diretor (Thiago Scuro) faz as funções normais, como contato com o elenco, questão de empresário, renovação do elenco, próprio vestiário também. Parte de definir contratações será feita uma reunião do departamento, todo mundo junto, para conversar. Essa parte de reformulações a gente conversa, mas temos funções definidas e separadas.
Histórico no Cruzeiro
- Atuava em várias áreas no Cruzeiro, inclusive marketing e comercial. Como eu tenho formação jurídica, também defendi o Cruzeiro em algumas audiências do STJD. Fui para os negócios internacionais, no começo do ano, que nosso profissional foi para a CBF, e nossa área ficou sem um coordenador. Agora o doutor Gilvan (de Pinho Tavares) me convidou para atuar no futebol profissional. Vejo com excelentes olhos, porque, embora o Cruzeiro seja um clube social, tenha outras atividades, o futebol é a estrela, locomotiva do clube, que mexe mais com a paixão. Então fico muito feliz pela oportunidade de trabalhar nessa área.
Sérgio Rodrigues participou de acerto de patrocinador para o sub-20 do clube (Foto: Divulgação/ Cruzeiro)
Histórico pessoal
- Sou casado, tenho dois filhos – uma filha e um filho. Meu pai também é conselheiro nato do Cruzeiro, meus filhos também já são. Brinco que não são de berço, mas de maternidade, porque já nascem com o gorro do Cruzeiro lá em casa. Sou advogado de formação, tenho mestrado, sou conselheiro da OAB, tenho meu escritório de advocacia e, quando não estou no meu escritório, estou com a minha família. Tem até ficado mais difícil, porque a cada dia mais tenho me dedicado mais ao Cruzeiro. É uma renúncia que a gente faz do lado pessoal, mas minha esposa entende, meus filhos, tenho certeza, que vão também me entender, são pequenos ainda. Mas é uma paixão diferente, coisa que move a gente de uma maneira diferente. Tenho certeza que meus filhos vão acompanhar.