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28/12/2019 13:42

Cruzeiro precisaria de quatro meses para elaborar marca própria de material esportivo

Conselho Gestor está insatisfeito com contrato entre clube e Adidas

Cruzeiro precisaria de quatro meses para elaborar marca própria de material esportivo

Cruzeiro apresentou uniformes da Adidas na manhã da última quinta-feira (Foto: Cruzeiro/Divulgação)

Ao questionar as condições do contrato com a Adidas, o vice-presidente-executivo do Cruzeiro, Vittorio Medioli, afirmou que seria mais interessante para o clube trabalhar na confecção de uma marca própria de material esportivo. “Não tem como. Hoje tem que partir para uma marca própria. O que vale não é a marca Adidas, e sim a marca Cruzeiro. Para a nossa torcida, o que tem Adidas, Umbro, Nike é um zero à esquerda”.



E se o Cruzeiro rompesse, de fato, o contrato com a Adidas? Em quanto tempo se organizaria para ter o novo uniforme e distribuí-lo em todas as lojas? Alexandre Dalla, diretor comercial da Bomache, afirmou ao Superesportes que o prazo é de aproximadamente 4 meses. “Estão inclusos todos os processos, desde elaboração dos modelos, compra de matéria-prima, confecção, embalagem e entrega”.

Fundada em 1991 e sediada em Fortaleza, a Bomache é especializada em desenvolver marcas próprias para clubes de futebol. A empresa tem 220 funcionários distribuídos em duas fábricas: uma na capital cearense e outra em Horizonte, distante 42 quilômetros. A terceira unidade está em fase de construção na cidade de Pacajus, também no Ceará, com previsão de funcionamento a partir de 2021.

O uniforme do América da Sparta foi produzido pela Bomache, assim como os de Coritiba, Fortaleza, Ceará, Santa Cruz, CSA, Paysandu e Sampaio Corrêa. Mascote e ano de fundação das agremiações podem ser usados como logos. “A marca própria é um catalisador de receitas, porque o clube fica mais à vontade para elaborar quantos modelos quiser, além de ter maior participação nos lucros do que em uma parceria tradicional”, ressaltou Alexandre Dalla.

De acordo com o jornal O Povo, o Fortaleza projetou faturamento de R$ 10 milhões em 2019 comercializando entre 100 mil e 120 mil unidades da marca ‘Leão 1918’. De cada peça, o clube tem direito a 50% do valor bruto de R$ 225,00. Em um contrato padrão, receberia R$ 200 mil de luvas e aproximadamente 12% de royalties - cerca de R$ 3 milhões. O Paysandu já havia alcançado sucesso há alguns anos, saltando de 50 mil camisas da Puma, em 2015, para 110 mil da Lobo, em 2016.

O preço de atacado da Bomache varia entre R$ 100 e R$ 125. Dessa quantia, segundo Alexandre Dalla, até 35% é repassada aos clubes na condição de royalty. A camisa do América, por exemplo, é vendida por R$ 104,90 na fábrica e R$ 219,90 para o consumidor.

Já o Cruzeiro, em seu contrato com a Adidas, terá direito a 24% de royalty em 2020 e 27% em 2021, ano de seu centenário. Além disso, há comissão de 7% das lojas oficiais do clube e da empresa de comércio eletrônico Netshoes.

Levando em consideração os preços de R$ 120 na fábrica e R$ 250 nas lojas, o Cruzeiro receberia cerca de R$ 46 por camisa (R$ 29 da Adidas e R$ 17 dos estabelecimentos parceiros). Na venda de 200 mil unidades, a soma das receitas giraria em torno de R$ 9,2 milhões.

Insatisfação da diretoria

O Conselho Gestor do Cruzeiro se mostrou insatisfeito com o contrato fechado em abril pelo ex-vice-presidente de futebol Itair Machado com a Adidas. Carlos Ferreira Rocha, responsável pelas áreas de publicidade e marketing, ressaltou, em entrevista à Rádio Itatiaia, que várias cláusulas precisam ser revistas.

“O contrato com a Adidas realmente não foi muito bom para o Cruzeiro. Evidentemente, o Medioli falou isso com muita propriedade. Poderia ter sido muito melhor. Nós tratamos disso ontem na reunião, não tem nada definido, mas reitero que a Adidas deverá, sim, rever algumas cláusulas no contrato. Se não fica inviável mesmo”, disse.

“Hoje, com a marca própria, o Cruzeiro faturaria muito mais. A Adidas hoje só beneficiaria a ela. Até fazemos um apelo aos executivos da Adidas que sentem conosco e reveja algumas cláusulas. Esse contrato é deficitário para o Cruzeiro”, acrescentou.



Em meio a discordâncias, as camisas da Adidas já estão nas lojas oficiais e custarão R$ 249,99, nas versões masculina e feminina, e R$ 229,99, no modelo infantil. O torcedor ainda contará com um amplo portfólio de produtos, como jaquetas, shorts, meias e mochilas. A venda começará no dia 2 de janeiro, dia do aniversário de 99 anos do Cruzeiro.

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1440 visitas - Fonte: Super Esportes


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